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Incêndio de Amarante
Tapeçaria de Portalegre instalada no topo da Sala de Audiências do Tribunal Judicial da Comarca de Amarante
Guilherme Camarinha, 1963. Assinada e datada .
4,66mx4,01m
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A tapeçaria é uma das artes que maior expressão conheceu para decoração dos espaços judiciais, constituindo, actualmente, um dos espólios de maior valor patrimonial e artístico da Justiça. Embora existam outras tipologias (como Arraiolos) a Tapeçaria de Portalegre é, manifestamente, a mais representativa. O espólio dos tribunais conta actualmente com cerca de 50 tapeçarias da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, adquiridas para decoração de topos de salas de audiências, maioritariamente no período do Estado Novo. A mais antiga foi adquirida em 1953, poucos anos após a criação das Manufacturas de Portalegre, e as mais recentes já na década de 90.
Tratam-se de encomendas específicas do Ministério da Justiça a um número vasto de pintores contemporâneos, dos quais se destacam, pelo sua representatividade, Guilherme Camarinha com 8 tapeçarias e João Tavares com 7. Entre outros artistas plásticos, autores de cartões que deram origem às tapeçarias, conta-se com: Amândio Silva (4 tapeçarias), Martins Barata e Almada Negreiros (3 tapeçarias cada) e com 1 peça Renato Torres, Sousa Felgueiras, António Quadros, Dórdio Gomes, Domingos Rebelo, Severo Portela, Armando Alves, Nuno Siqueira, Artur Bual, Manuel Lapa, Tomaz de Mello, Charrua, Joaquim Rebocho, Fátima Ramalho, Manuela Madureira, Rocha de Sousa, Justino Alves, Lino António, Manuel Lima, Luís Filipe de Abreu, Tossan, Eduardo Batarda, Costa Pinheiro e Dorita Castel Branco.
Existem ainda diversas tapeçarias de Portalegre que não foram executadas especificamente para o tribunal onde se encontram, tratando-se de obras seriadas já existentes no mercado, adquiridas a posteriori, como forma de decorar ou enobrecer as salas de audiências onde se encontram. É o caso de tapeçarias de Menez nos tribunais de Mação e Sertã; José de Guimarães em Oeiras e Faro (Família e Menores e Trabalho); Jorge Martins em Ourém, Coimbra (Família e Menores) e Paredes de Coura; Costa Pinheiro em Ponte de Lima e Ourique; Sabrina na Nazaré, entre outros. São todas da década de 90, período em que a aquisição à posteriori de obras de arte se apresentou como solução alternativa, já que, a partir do período pós 25 de Abril, o programa de construção dos tribunais deixou, praticamente, de incluir programa artístico ou a aquisição de obras de arte. Excepção feita pontualmente a um ou outro tribunal como a Moita e Setúbal.
Sob o ponto de vista da composição artística as tapeçarias são quase todas figurativas, a maioria de grande dimensões (adaptadas ao local de destino), tendo como campos temáticos centrais a história e folclore relacionados com a localidade (a Reconquista Cristã, cartas de forais, Cortes, os Descobrimentos, Guerras da Restauração e Guerras Napoleónicas). Em menor número existem ainda 3 temas bíblicos (Expulsão de Adão e Eva em Oliveira de Azeméis, a Lei Divina em Ponte de Sor e a Sentença de Salomão em Aveiro) e, no caso do Palácio da Justiça de Lisboa, 3 tapeçarias com temática relacionada com o Direito (grandes reformas legislativas), uma das quais, a de Artur Bual, de composição abstracta.
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